sexta-feira

Jatobá

Jatobá
Nome científico: Hymenaea courbaril  L.

            Árvore nativa, pioneira, semidecídua, da família Fabaceae. Pode chegar a uma altura de até 20 m, com tronco de até 1 m de diâmetro, revestido por casca com ritidoma lenticelado. Floresce nos meses de outubro a dezembro. Seus frutos amadurecem a partir de julho, sendo consumida tanto pelo homem como pelos animais silvestres.
            O jatobá é uma espécie de grande porte com copa densa e ampla, tronco retilíneo com casca lisa (Foto 1). As folhas são bifolioladas, com disposição alterna (Foto 2) e possui inflorescência em panículas nos ramos terminais. O fruto é um legume indeiscente, cujas sementes são envolvidas por uma polpa farinácea comestível de sabor e cheiro muito característico (Foto 3). Frutifica entre junho e setembro podendo alcançar até 2.000 frutos por ano.

 (Foto 1: Josiane Silva Bruzinga)

            Ocorre no Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo), Sul (Paraná), em vegetação do tipo Área Antrópica, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Terra Firme, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial), Restinga.

Folhas: alternas, compostas bifolioladas, com folíolos cartáceos, glabros, brilhantes, de 6 a 14 cm de comprimento.
Flores: brancas, zigomorfas, diclamídeas, dispostas em racemos apicais curtos.
Fruto: legume indeiscente, sublenhoso, marrom, com 2 a 4 sementes duras envoltas por uma polpa farinácea, de cor amarela, adocicada e com forte odor.

  (Foto 2: Josiane Silva Bruzinga)


  (Foto 3: Josiane Silva Bruzinga)

            A descoberta de inúmeros compostos em diversas partes da planta justifica o uso popular do jatobá já de longa data para diversos fins. Trabalhos realizados em áreas de Cerrado relatam que o jatobá é uma das espécies mais procuradas para fins medicinais. Sendo que, sua análise fitoquímica revelou a presença de taninos, flavonoides, procianidinas, óleos essenciais, terpenos, substâncias amargas, matérias resinosas e pécticas, amido, açúcares, vitamina C, compostos presente em várias partes da árvore, é listado a seguir.
            A polpa do fruto é consumida "in natura" ou usada na preparação de alimentos e bebidas. Usada também como laxante, tonificante, adstringente e em distúrbios cardiopulmonares, dispepsia e fadiga. A casca do fruto combate a hemorroida e fungos nos pés. E por apresentarem em sua composição xiloglucanas e galactomanas, essa casca pode ainda ser utilizada na fabricação de papéis, goma guar e amido.
As folhas e a casca do jatobá agem como antimicrobianos, antifúngicos, antibacterianos e moluscocidas. Ambas podem ser utilizadas em tratamentos intestinais, pulmonares, de próstata, de tireoide e problemas inflamatórios. São eficazes ainda para hemoptises e hematúria, e tem efeitos expectorante e fortificante. O óleo essencial da casca combate o Aedes aegypty e age como antioxidante. Ele exerce efeito inibitório sobre o desenvolvimento de artrite reumatoide.
            A resina do caule, popularmente conhecida como "jutaicica" pode ser utilizada na fabricação de vernizes; combustível, incenso, pasta de polimento e impermeabilizador.
Contudo o produto mais comercializado do jatobá, hoje, é a madeira. Com excelente aceitação no mercado externo, sua valorização é devida à durabilidade, densidade, beleza e ausência de rachaduras. O jatobá está no grupo das 10 madeiras mais valiosas e negociadas do mundo.
            Essa diversidade de uso, e sua importância econômica no mercado nacional e internacional, motivaram estudos sobre o cultivo da espécie. Hoje já se sabe que o jatobá é de fácil multiplicação e produz sementes com abundância e regularidade. 
Em relação à produção de mudas 50% a 80% de sombreamento apresenta um melhor desenvolvimento da muda, sendo que esta reage significativamente a maiores teores de nutrientes no solo. Quanto à exigência hídrica níveis abaixo de 50% da capacidade de retenção de água no solo restringem significativamente o crescimento das mudas.
Antes da semeadura deve-se fazer a quebra de dormência com a escarificação manual no lado oposto a protrusão da radícula, seguida de imersão em água quente até a temperatura voltar a ambiente; ou imersão em ácido sulfúrico por 30 minutos seguido de lavagem em água corrente por 10 minutos. 
            A germinação é de 80 a 100% finalizando aos 40 dias. Para produção recomenda-se uma mistura de solo, areia, esterco (2:1:1) em sacos de polietileno de 15x20 cm. Elas devem ser mantidas em viveiro com sombreamento parcial, e transplantadas quando atingirem cerca de 30 cm de altura.
            O jatobá apresenta incremento em volume  de 2,3 m³/ha/ano a partir do sétimo ano de idade, podendo alcançar a altura de 8 metros em cinco anos, por isso é promissora e m plantios homogêneos ou sistemas agroflorestais. Na fase adulta pode-se fazer, com o devido manejo a retirada de parte da seiva do caule, que é de uso fitoterápico. A produção é de 15 a 52 litros de seiva, sendo maior no final do período chuvoso, e necessita de um "descanso" de seis meses entre coletas.
            Várias espécies têm despertado interesse de pesquisadores pela riqueza de compostos, sendo o jatobá um excelente exemplo. A divulgação ampla dos resultados de tais pesquisas pode levar ao melhor uso e conservação de espécies. Pois espécies amplamente conhecidas são conservadas espontaneamente, não por sugestões ou imposição, mas pela percepção de sua importância. Portanto a conservação do jatobá, aliado ao conhecimento empírico popular, podem ajudar pesquisadores a desenvolver sistemas de manejo voltados para seu uso de forma sustentável.


Saiba mais:

FLORA DO BRASIL. Hymenaea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB22972>. Acesso em: 22 Ago. 2017



LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, v.1, 6.ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2012.132p.

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