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quarta-feira

Vespa-da-madeira – Sirex noctilio


Vespa-da-madeira – Sirex noctilio (Fabricius, 1973)

Hymenoptera: Siricidae


Ocorrência:
É um inseto exótico que, atualmente, está distribuído na Europa, África, América do Norte, Nova Zelândia e América do Sul. No Brasil, a primeira ocorrência foi no Rio Grande do Sul, em 1998, onde causou perdas consideráveis de Pinnus spp., e depois registrada em Santa Catarina e Paraná.

Descrição e biologia:
Adulto – varia de 1 a 3,5 cm de comprimento e coloração azul escuro metálico. As fêmeas possuem o ovipositor em forma de ferrão, que atinge até 2 cm de comprimento, que fica recolhido no abdome quando não está em uso. Os machos apresentam, do 3 ao 7 segmento do abdome, uma mancha alaranjada.

Na fase adulta, os insetos não se alimentam e são totalmente dependentes de reservas de gordura do corpo. A postura é realizada em árvores debilitadas, estressadas ou em declínio, podendo chegar a 240 posturas/fêmea. A fêmea introduz seu ovipositor na madeira e coloca 2 ovos mais uma secreção contendo esporos do fungo simbionte (Amylostereum areolatum) e uma substância tóxica à planta. Este fungo contamina a planta, seguindo o fluxo da seiva, e serve de alimento para as larvas, que nascem após um período de incubação de 14 a 28 dias.
Larva – possui formato cilíndrico e cor esbranquiçada, com 3 pares de pernas torácicas vestigiais, mandíbulas denteadas escuras e um espinho supra-anal. As larvas não ingerem a madeira, e sim extraem nutrientes do micélio do fungo, progredindo na madeira em que o fungo se desenvolve pelo cerne. As secreções salivares e os nutrientes dissolvidos são, posteriormente, ingeridos pela larva, e a serragem da madeira é acumulada na galeria.
Pupa – na fase de pré-pupa, as larvas tendem a se aproximar da região cambial da madeira, onde escavam suas câmaras pupais. O período pupal tem uma duração média de 4 semanas.
O ciclo do inseto, por depender de fatores como temperatura, teor de seiva e umidade da madeira, pode ter diferentes durações, completando-se no período de 1 a 3 anos, sendo que 75% dos insetos emergem no 1 ano.

Danos:
 - Resina no tronco, decorrente de perfurações para postura;
- Árvores com acículas amareladas, que ocorrem de 20 a 30 dias após as posturas;
- Murcha e queda de acículas;
- Presença de galerias, contendo larvas e serragem;
- Orifícios de emergência de adultos que são facilmente visíveis nas cascas das árvores;
- Manchas azuladas na madeira causadas pelo fungo Amylostereum areolatum.

Monitoramento:
O sucesso do programa de controle da vespa-da-madeira está ligado, diretamente, à detecção precoce da sua presença, que é realizada mediante o monitoramento. O monitoramento é feito por meio de árvores-armadilhas, ou seja, um conjunto de 5 árvores estressadas com herbicida(Padron ou Tordon 10%). Para que seja bem executado, devem ser seguidas algumas orientações.
- época de instalação: no período de 15 de agosto a 30 de setembro;
- distribuição das armadilhas: deve cobrir toda a área de reflorestamento, situando-se em locais de fácil acesso e próximos às bordas, o que facilita a derrubada e inspeção de árvores;
- densidade: 1 – em áreas onde Sirex noctilio está presente, bem como em áreas distantes até 10 km do foco, instalar uma parcela de árvores-armadilhas a cada 500 m; 2 – a uma distância de 11 a 50 km do foco, instalar uma parcela de árvores-armadilhas a cada 1.000 m; 3 – acima de 50 km do foco, principalmente em áreas de fronteira, instalar uma parcela de árvores-armadilhas a cada 10 km; 4 – em áreas onde o inseto está a mais de 200 km, a vigilância florestal é a técnica mais adequada.
A revisão das árvores-armadilhas deve ser efetuada de 2 a 4 meses após os picos de emergência dos adultos; se for verificada a presença de respingos de resina e de manchas marrom-alaranjadas abaixo da casca, denunciando a presença do fungo Amylostereum areolatum, a árvore deverá ser derrubada e retiradas, no mínimo, cinco amostras de 1 m de comprimento, para a verificação da presença de galerias e larvas.
Métodos de controle:
Controle legislativo – A Resolução nº. 005/2005 determina, em razão do seu Art. 1º, a queima controlada dos restos culturais dos cultivos de Pinnus spp. atacados pela vespa-da-madeira;
Controle silvicultural – Recomenda-se desbastes ocasionais e seletivos, importantes para impedir a sua distribuição, pois povoamentos bem conduzidos e bem manejados não sofrem perdas econômicas. Não realizar poda drástica (alta) e operações de desbaste de outubro a abril, pois este período corresponde à época de emergência da maioria dos adultos. Evitar plantios em locais inclinados, onde tratos silviculturais são dificultados. Restos de desbastes que apresentem diâmetro superior a 5 cm deverão ser queimados ou eliminados, para não atrair fêmeas. Tratamento quarentenário: A madeira serrada, de maneira geral, deverá ser seca em estufa a 60ºC, por um período mínimo de 48 horas. As toras ou as madeiras que não sofrerem este processo não deverão ser transportadas para fora da região de ocorrência da praga.

Controle biológico:
É realizado com nematoide Deladenus siricidicola (Nematoda: Neotylenchidae) que esteriliza as fêmeas da vespa, é o principal agente do controle biológico, seguido dos parasitoides, Ibalia leucospoides, Megarhyssa nortoni e Rhyssa persuasoria. O nematoide e os parasitoides foram importados, são produzidos pela Embrapa Florestas e distribuídos pelas Associações de Reflorestadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aos produtores de Pinus. O nematoide apresenta um controle de, aproximadamente, 70% da população da praga quando bem manejado, e um controle de, aproximadamente, 90% quando em associação com os parasitoides. O nematoide alimenta-se do mesmo fungo que a larva de S. noctilio, e quando se encontram, o nematoide até então de vida livre, torna-se de vida parasitária, penetrando na larva. A larva parasitada pelo nematoide continua a se desenvolver normalmente até a fase adulta, na qual o nematoide aloja-se nos ovários das fêmeas, tornando os ovos inférteis. Os ovos, além de inférteis, apresentam nematoides, facilitando a sua disseminação.
Procedimento de inoculação – derrubar a árvore e, com um martelo apropriado, fazer orifícios, onde serão colocadas as doses (cada dose de 20 ml permite tratar cerca de 10 árvores). A inoculação deverá ser realizada, preferencialmente, entre os meses de março e julho, com temperatura de 7-20ºC, não devendo ser realizada com chuva. Deve-se realizar, anualmente, a avaliação de parasitismo em adultos.
Nº de plantas as serem inoculadas:
Até cinco árvores atacadas/ha – inocular todas;
De 6 a 25 árvores atacadas/ha – inocular 5 bem distribuídas;
Mais de 25 árvores atacadas/ha – inocular 20% das árvores atacadas.

Liberação de parasitoides:
Ibalia leucospoides; Megarhyssa nortoni e Rhyssa persuasoria.


Mais informações:





Fonte: Costa, E.C.; D´ávila, M.; Cantarelli, E. B.; Murari, A. B. Entomologia Florestal. Santa Maria: Editora da UFMS. 2011.

Imagens: Google.