quinta-feira

Hymenaea courbaril L. - Jatobá

A espécie Hymenaea courbaril L. popularmente conhecida como jatobá, ocorre desde o México até os países tropicais da América do Sul. no Brasil, é encontrada do Piauí ao norte do Paraná, sendo característica de Floresta Estacional Decidual e Semidecidual, Mata Atlântica, Cerradão, e rara em campos abertos.
O jatobá é uma espécie de grande porte com copa densa e ampla, tronco retilíneo com casca lisa (Figura 1). As folhas são bifolioladas, com disposição alterna (Figura 2) e possui inflorescência em panículas nos ramos terminais. O fruto é um legume indeiscente, cujas sementes são envolvidas por uma polpa farinácea comestível de sabro e cheiro muito característico (Figura 3). Frutifica entre junho e setembro podendo alcançar até 2.000 frutos por ano.

 (Foto: Josiane Silva Bruzinga)


  (Foto: Josiane Silva Bruzinga)


  (Foto: Josiane Silva Bruzinga)

A descoberta de inúmeros compostos em diversas partes da planta justifica o uso popular do jatobá já de longa data para diversos fins. Trabalhos realizados em áreas de Cerrado relatam que o jatobá é uma das espécies mais procuradas para fins medicinais. Sendo que, sua análise fitoquímica revelou a presença de taninos, flavonóides, procianidinas, óleos essenciais, terpenos, substâncias amargas, matérias resinosas e pécticas, amido, açúcares, vitamina C, compostos presente em várias partes da árvore, é listado a seguir.
A polpa do fruto é consumida "in natura" ou usada na preparação de alimentos e bebidas. Usada também como laxante, tonificante, adstringente e em distúrbios cardiopulmonares, dispepsia e fadiga. A casca do fruto combate a hemorroida e fubntos nos pés. E por apresentarem em sua composição xiloglucanas e galactomanas, essa casca pode ainda ser utilizada na fabricação de papéis, goma guar e amido.
As folhas e a casca do jatobá agem como antimicrobianos, antifúngicos, antibacterianos e moluscocidas. Ambas podem ser utilizadas em tratamentos intestinais, pulmonares, de próstata, de tireoide e problemas inflamatórios. São eficazes ainda para hemoptises e hematúria, e tem efeitos expectorante e fortificante. O óleo essencial da casca combate o Aedes aegypty e age como antioxidante. Ele exerce efeito inibitório sobre o desnevolvimento de artrite reumatóide.
A resina do caule, popularmente conhecida como "jutaicica" pode ser utilizada na fabricação de vernizes; combustível, incenso, pasta de polimento e impermeabilizador.
Contudo o produto mais comercializado do jatobá, hoje, é a madeira. Com excelente aceitação no mercado externo, sua valorização é devida à durabilidade, densidade, beleza e ausência de rachaduras. O jatobá está no grupo das 10 madeiras mais valiosas e negociadas do mundo.
Essa diversidade de uso, e sua importância econômica no mercado nacional e internacional, motivaram estudos sobre o cultivo da espécie. Hoje já se sabe que o jatobá é de fácil multiplicação e produz sementes com abundância e regularidade. 
Em relação à produção de mudas 50% a 80% de sombreamento apresenta um melhor desenvolvimento da muda, sendo que esta reage significativamente a maiores teores de nutrientes no solo. Quanto à exigência hídrica níveis abaixo de 50% da capacidade de retenção de água no solo restringem significativamente o crescimento das mudas.
Antes da semeadura deve-se fazer a quebra de dormência com a escarificação manual no lado oposto a protrusão da radícula, seguida de imersão em água quente até a temperatura voltar a ambiente; ou imersão em ácido sulfúrico por 30 minutos seguido de lavagem em água corrente por 10 minutos. 
A germinação é de 80 a 100% finalizando aos 40 dias. Para produção recomenda-se uma mistura de solo, areia, esterco (2:1:1) em sacos de polietileno de 15x20 cm. Elas devem ser mantidas em viveiro com sombreamento parcial, e transplantadas quando atingirem cerca de 30 cm de altura.
O jatobá apresenta incremento em volume  de 2,3 m³/ha/ano a partir do sétimo ano de idade, podendo alcançar a altura de 8 metros em cinco anos, por isso é promissora em plantios homogêneos ou sistemas agroflorestais. Na fase adulta pode-se fazer, com o devido manejo a retirada de parte da seiva do caule, que é de uso fitoterápico. A produção é de 15 a 52 litros de seiva, sendo maior no final do período chuvoso, e necessita de um "descanso" de seis meses entre coletas.
Várias espécies têm despertado interesse de pesquisadores pela riqueza de compostos, sendo o jatobá um excelente exemplo. A divulgação ampla dos resultados de tais pesquisas pode levar ao melhor uso e conservação de espécies. Pois espécies amplamente conhecidas são conservadas espontaneamente, não por sugestões ou imposição, mas pela percepção de sua importância. Portanto a conservação do jatobá, aliado ao conhecimento empírico popular, podem ajudar pesquisadores a desenvolver sistemas de manejo voltados para seu uso de forma sustentável.

Fonte: Bruzinga, J.S.; Mota, S.L.L.; Rezende, A.V. Revista MG.BIOTA. v.7, n.4, Janeiro/Março, 2015, Distribuição gratuita

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